Inclusão Social
A nossa prioridade para 2010!
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Janela aberta na prisão
«Deu ainda mais trabalho que o normal, mas valeu cada minuto dedicado…»! Foi o desabafo que tive com os meus botões, no término deste projecto de formação profissional com reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga!
Foi-nos feito o desafio em 2008, aquando da preparação do diagnóstico de necessidades de formação. A Direcção do Estabelecimento Prisional de Braga, apercebendo-se da relação que uma boa parte dos seus funcionários tinha com o Inovinter/Braga, quis de imediato saber o que é que este Centro de Formação Profissional poderia fazer pelos seus reclusos. Feita a primeira reunião a questão foi colocada por nós num outro ângulo: o que é que os reclusos poderiam querer do Inovinter?
O impasse foi resolvido com a grande ajuda dos Técnicos de reinserção do Estabelecimento Prisional: a formação deveria assentar em instrumentos que pudessem ser úteis à integração dos sujeitos na sociedade assim que cumprissem as suas penas. Posto isto, foi feito um trabalho de análise ao Catálogo Nacional das Qualificações, tanto por parte do Inovinter/Braga como pelos Técnicos do Estabelecimento Prisional de Braga que junto com os reclusos se iam apercebendo de qual a formação que mais se poderia aproximar dos objectivos pretendidos.
De maneira muito natural, surgiu a hotelaria como a área de formação que melhor se enquadraria no perfil de formação pretendido; daí à “cozinha” foi “um passo”! Estipulou-se então que seriam efectuadas, no ano 2009, 100 horas de formação em Cozinha: Confecção de Sopas, Cremes, Caldos e Consommés; Confecção de fundos, molhos e pratos principais de cozinha e Confecção de sobremesas.
Entretanto havia que preparar cozinha, comprar equipamentos e instrumentos para apoio à formação, tirar as medidas para as fardas de cozinha, manter a motivação dos candidatos à formação para o projecto em causa e encontrar um formador que estivesse à altura do desafio.
O formador apareceu-nos através de felizes “coincidências” ou não! [história muito extensa para relatar aqui; daria um outro artigo, mas não vai ser desta] Américo Silva: jovem, muito profissional, dedicado à arte da cozinha, desde a confecção à sua apresentação (sim porque os olhos também comem, diz-se e é verdade!), e, das características que mais me chamaram à atenção, muita humilde e respeito pelo grupo de formandos. Tenho que deixar aqui o meu agradecimento público à Escola Profissional de Vila Verde que nos “cedeu” este formador num horário complicado como é o laboral. Bem hajam!
Iniciadas as acções, começaram também as preocupações com o material, se chegaria a tempo e em que condições, se os fornecedores da carne, do peixe e dos legumes não se fartariam dos procedimentos de revista sempre que faziam uma entrega no estabelecimento prisional. Iriam as visitas das famílias coincidir com o horário da formação?
Os formandos, os protagonistas desta história, não entraram “no jogo” logo à primeira. Notava-se ali um sentimento de “é só mais uma formação”. Mas com o passar das horas e com o meter as mãos na massa (literalmente falando), o grupo foi ganho! Não porque o acho, mas porque os próprios o disseram no final da formação. Uma boa parte admitiu poder um dia seguir este caminho e até, quem sabe, abrir negócio próprio. Se for esse o vosso caminho podem contar com o Inovinter para vos ajudar, não seriam os primeiros!
Verdade seja dita, como frisou o formador no encerramento do curso, estas 100 horas foram apenas “uma pitadinha” do muito que ainda haveria por descobrir na cozinha. Fica aberta a janela…
O encerramento foi… muito gostoso!! Tudo preparado muito cuidadosamente pelos formandos. Estes em troca apenas pediram para ficar com as jaquetas. Depois de alguns telefonemas para Lisboa (Conselho de Administração) e para Angola (onde estava a Sr.ª Directora do Inovinter em Serviço) lá se consentiu que assim fosse. Nos discursos finais, depois de bem comidos, todos falaram: o Inovinter, na pessoa do seu Coordenador Pedagógico Nacional, Eng. Augusto Pascoal, o Formador, os Técnicos do Estabelecimento, os Guardas, o Formador e os formandos. Acredito que todos confirmarão que o que se passou ali foi mágico e o que eu desejo é que para estes formados a magia continue… Muito boa sorte e obrigado por esta fantástica experiência que jamais esquecerei!!!
Hugo Marques Moniz
Director da Região Norte

