Impactos causados pela pandemia COVID-19

Nuno Oliveira Formação, Notícias

Tem sido uma constante nos últimos meses o debate criado à volta dos efeitos pelo COVID-19 nas suas diversas dimensões, sendo que aqui abordaremos de forma não científica, os impactos que se têm verificado no meio ambiente.

Antes de iniciar a nossa reflexão sobre o tema comecemos por uma breve contextualização,

De acordo com o site do Sistema Nacional de Saúde (sns24.gov.pt) o COVID-19 é o nome, atribuído pela Organização Mundial da Saúde, à doença provocada pelo novo coronavírus SARS-COV-2, que pode causar infeção respiratória grave como a pneumonia. Este vírus foi identificado pela primeira vez em humanos, no final de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, província de Hubei, tendo sido confirmados casos em outros países.

O nome COVID-19 resulta das palavras “Corona”, “Vírus” e “Doença” com indicação do ano em que surgiu (2019).

O COVID-19 tem causado um enorme impacto a nível mundial com a suspensão da atividade de diversos sectores e com o confinamento de milhões de pessoas. Estima-se que cerca de 3,9 biliões de pessoas, metade da população mundial, já foram convidadas, ou forçadas, a ficarem em casa para combater a sua disseminação.

Com maior ou menor nível de coercividade de confinamento, estas populações são convidadas a permanecer em casa e limitar as suas deslocações ao mínimo e indispensável.

Ora, é precisamente este confinamento (e não só) que está a gerar alterações no meio ambiente (a diversos níveis) uns positivos (abordaremos estes) e outros menos positivos (deixaremos pistas para reflexão). Perante uns e outros um facto tem de ficar presente: a emergência climática não vai nem deve desaparecer.

Como efeitos positivos do COVID-19 temos desde logo a diminuição das emissões de poluentes como o CO2, o NO2 e outros.

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Emissão de dióxido de nitrogénio na Península Ibérica (março 2019 vs. março 2020) Fonte: ESA (Agência Espacial Europeia)


De acordo com a Carbon Brief (portal na internet criado pela European Climate Foundation que analisa dados e políticas relacionadas com as alterações climáticas e energia) as emissões de dióxido de carbono diminuíram em 25% na China após o Novo Ano Chinês. A nível mundial, as emissões de CO2 podem chegar a uma redução de 7% este ano.

E porque motivo verificamos este efeito?

O facto de haver, neste momento, restrições de viagens aéreas e limitações de contacto implica um declínio substancial do consumo de combustíveis fósseis e uma redução de gases com efeito de estufa que contribuem negativamente para a qualidade do ar e que influenciam as alterações climáticas.

Com o confinamento houve uma quebra no consumo do petróleo, o mundo está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia (de acordo com a Agência Internacional de Energia).

Em Lisboa, segundo os dados, os níveis médios de NO2, um poluente emitido especialmente pelos transportes rodoviários, caíram 40% de uma semana para a outra. Comparando com o mesmo período do ano passado a redução foi de 51%.

Transportes terrestres, redução de tráfego aéreo, redução do consumo de combustíveis fósseis, paragem ou redução da laboração de indústrias tradicionalmente poluentes e a diminuição da pressão turística nos territórios têm tido um contributo essencial na pegada ecológica mundial.

De acordo com alguns analistas, esta diminuição da poluição atmosférica poderá evitar a morte de 77 mil pessoas, devido à menor concentração de micropartículas no ar, que são responsáveis pela morte de milhares de pessoas anualmente.

Além da atmosfera, a hidrosfera também sofreu melhorias. Foi reportada uma diminuição da poluição das águas em Veneza, que levou ao aumento da quantidade de seres vivos.

A redução drástica das deslocações casa-trabalho e trabalho-casa, um pouco por toda a Europa, não são de descontar na equação. A ideia de que precisamos de nos deslocar, todos os dias, para um local central para trabalhar pode ser resultado de inércia, mais do que qualquer outra coisa. Confrontados com a necessidade real de nos deslocarmos por via do rato [do computador], em vez do carro, temos descoberto que os benefícios de flexibilidade laboral se estendem a tudo, desde o consumo de gasolina à necessidade de grandes parques de estacionamento nos escritórios, havendo já organizações, outrora mais conservadoras, a poderem medir o real impacto do trabalho remoto nas organizações com ganhos óbvios no consumo de energia, cumprimento de objetivos, melhoria da qualidade de vida e bem estar dos trabalhadores, entre outras.

O que outrora estaria reservado às ditas empresas “mais tecnológicas” começa a fazer sentido para um número crescente de organizações.

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Perante todos estes factos devemos pensar numa verdadeira alteração de paradigma e utilizar esta crise pandémica para alterar comportamentos para que estas melhorias e impactos positivos no meio ambiente não sejam apenas transitórios e possam assumir um caracter permanente.

Passada a crise pensar em questões chave que não tiveram o impacto desejado tais como o aumento do consumo de energia e em grande parte do planeta o aumento do consumo de materiais em plástico descartável aumentou exponencialmente, sendo que parte desse material terá como destino final a autoclavagem e deposição em aterro a não seu que sejam criadas políticas para a reciclagem destes materiais.

Por último, a corrida aos hipermercados e a aquisição em exagero de diversos bens nomeadamente os bens perecíveis, têm contribuído para um aumento da produção de lixo proveniente do desperdício alimentar, com efeitos nefastos para o meio ambiente.

Estes eventuais impactos positivos poderão não ser a longo prazo. Devemos aproveitar esta crise para mudar comportamentos, ou mais tarde a recuperação económica poderá, provavelmente, ser ainda mais prejudicial.

Mais que medidas conjunturais são necessárias mudanças estruturais que salvaguardem e tenham em consideração os impactos nos diversos setores com especial enfoque nas áreas do emprego.

Por todos estes fatores, as associações ambientalistas têm deixado vários apelos. “Esta pandemia, que está a parar o mundo, servirá com toda a certeza para repensarmos os nossos comportamentos e o ponto até ao qual conseguiremos mudar alguns hábitos na nossa vida, além de contribuir ainda para promover a discussão das políticas ambientais e governamentais adotadas por cada um dos países em matéria ambiental”.

Em suma, o balanço tem sido positivo. Continuemos o caminho de forma sustentada e equilibrada.

Por um mundo melhor.
Pelo nosso bem-estar.
Pelo bem-estar das gerações vindouras.

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